terça-feira, junho 28, 2005

...8 x 28 = tu sabes...



28-6-2005


segunda-feira, junho 27, 2005

.... segredo:



27-6-2005


domingo, junho 26, 2005

... à opção de uma não resposta



7-6-2005


sábado, junho 25, 2005

.... dia de aniversário



2 -1-2005



sexta-feira, junho 24, 2005

FADO ALEXANDRINO



Se neste mundo o amor fosse paixão justa
bem repartida entre quem ama e é amado
ninguém faria tanta coisa que me assusta
ninguém cantava letras como a deste fado

Se para os homens o amor fosse coisa boa
que só lhes desse prazer e alegria
ninguém que muito amasse andava à toa
e um coração apaixonado não doía

Se nesta vida o amor fosse um sentimento
que desse mais que a cada noite uma ilusão
nenhum amante lançaria assim ao vento
tantas mentiras e promessas sem razão

Se cada amor fosse maior do que um desejo,
do que esta febre que afinal não vale nada,
talvez o fogo que se acende em cada beijo
ainda brilhasse para lá da madrugada

Fernando Pinto do Amaral



À MARGEM:
esboço para FADO MENOR

se o amor tivesse existido
a verdade emergido
a duplicidade desaparecido
então o São João,
o São João teria sido festivo


terça-feira, junho 21, 2005

... soninho bom!



21-6-2005


segunda-feira, junho 20, 2005

... quentes, doces momentos



20-6-2005


domingo, junho 19, 2005

... epifania(s)!



14-1-2005


sábado, junho 18, 2005

Há doenças piores que as doenças



Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta coisa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.


Fernando Pessoa


Surdo, Subterrâneo Rio



Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.

Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
- surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?


Eugénio de Andrade



quinta-feira, junho 16, 2005

... mas pássaro grande só cantou na foz do rio!



14-6-2005


terça-feira, junho 14, 2005

... muito urgente voltar para subir ao topo, ficar perto dos astros...e meditar!



14-6-2005


segunda-feira, junho 13, 2005

Procuro-te



Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre – procuro-te.


Eugénio de Andrade


sábado, junho 11, 2005

.... partida!



Lisboa. 10-6-2005


sexta-feira, junho 10, 2005

Luís de Camões



Estátua de Camões


terça-feira, junho 07, 2005

As pedras



As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
o que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e a outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
um coisa para dizer.

Maria Alberta Menéres